Afinal, o que é e para que serve um DRE?

30/03/2022
Image

DRE: O que é e para que serve?

Vamos entender o que é, para que serve e como analisar a Demonstração do Resultado do Exercício, qual carinhosamente chamamos de DRE.

Afinal, o que é DRE?

A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é uma demonstração contábil e também financeira, que tem por objetivo demonstrar o lucro ou prejuízo do período apurado na visão do regime de competência. Trata-se de um resumo das receitas e despesas da empresa em um determinado período.

Se as receitas da empresa foram maiores que as despesas e custos, então na DRE será evidenciado o lucro no período. No sentido oposto, sendo as despesas e custos maiores que as receitas, a empresa incorrerá em prejuízo. Lembrando que na DRE nossa visão é pelo Regime de Competência, logo, tudo é contabilizado independente do pagamento ou recebimento.

E existe alguma lei que trata sobre a DRE? Sim, existe a Lei 6.404 de 1976 (Lei das S.A) que fala o seguinte:

O exercício social de uma empresa pode ou não coincidir com o ano-calendário, é de acordo com o que estiver no estatuto ou contrato social, entretanto, costumeiramente coincide com o ano-calendário sendo então de 01/01 até 31/12. E é sobre este período que anualmente seu contador irá gerar a DRE com o resultado do ano de acordo com o que estiver escriturado lá na contabilidade.

Agora você deve estar pensando: “Tá, legal, já sei que a DRE existe, que tem lei que trata sobre o assunto e que anualmente o contador gera a DRE do resultado. Mas e para a gestão da minha farmácia, não posso gerar a DRE mensalmente para ver como as coisas estão indo?”

E a resposta é sim, dentro do HOSFarma você pode gerar a DRE Gerencial com o período que você desejar para ver suas receitas, despesas e o lucro ou prejuízo do período selecionado. o/

 

E para que serve a DRE Gerencial?

A DRE Gerencial é um dos relatórios mais importantes para a gestão da sua Drogaria, pois ela possibilita que você tenha uma visão geral sob a ótica financeira, sendo útil para nortear as decisões.

Quando você gera a DRE Gerencial no HOSFarma é possível visualizar todas as receitas e despesas por categoria financeira, bem como ver quais contas compo?m aquele total apresentado em cada categoria. Podemos falar que a DRE é como um Raio X ou ainda um dedo duro, pegando todas as operações da farmácia, tanto vendas, compras, despesas e apresentando em um demonstrativo de fácil leitura e interpretação, possibilitando a  você, gestor, efetuar análises essenciais para a continuidade e crescimento da sua drogaria.

Por exemplo: 

- Vamos imaginar um cenário onde a Drogaria tem crescido de faturamento, vendido mais a cada mês. O resultado natural esperado é de que a empresa tenha mais lucro, porém, não é isso que tem acontecido, por mais que o faturamento aumento o lucro não aumentou;

- Infelizmente esse é um cenário bastante comum, ainda existem muitas empresas preocupadas apenas em vender mais, sem olhar o todo e em muitos casos vendem mais e o lucro não aumenta, ou ainda pior, ocorre o aumento de vendas, por consequência o aumento de trabalho e o lucro ao invés de aumentar acaba diminuindo;

- Sem acesso a relatórios como a DRE é difícil entender com clareza o que está ocorrendo, já com a DRE será fácil de perceber quais custos ou despesas estão crescendo no mesmo ritmo ou em ritmo maior que as vendas de modo a não ocorrer o crescimento do lucro.

A DRE coloca luz nos números, possibilitando ao gestor ter a visão clara da situação.

Estrutura da DRE

Falando de forma resumida e simplificada a DRE é composta por algumas contas principais e “recheada” com as categorias financeiras. Logo, é importante manter o plano de categorias financeiras simples e adequado ao seu negócio, de modo a possibilitar a geração de um DRE que seja de fácil compreensão e análise, bem como, ter um plano de categorias simplificado auxilia para quando dos lançamentos de contas a pagar e receber. Se colocada muita complexidade, nos lançamentos financeiros quem for os fazer acabará tendo dúvidas de em qual categoria lançar e isso refletirá na DRE.

No HOSFarma disponibilizamos um modelo de estrutura padrão da DRE e também das categorias financeiras, já configuradas na adequada conta do DRE. De forma adicional, permitimos que você faça a gestão das categorias, podendo editar as que disponibilizamos, excluir e adicionar categorias conforme a necessidade do seu negócio e efetuar o vínculo com a conta que desejar no DRE.

Agora, sem mais delongar, vamos a estutura padrão da DRE:

  • Receita Bruta Operacional (ROB)É a soma total da venda de produtos, de mercadorias ou de prestação de serviços ocorridas no perído.
  • (-) Deduções de Receita BrutaÉ composta pelos descontos cencedidos na venda, cancelamentos de vendas, devoluções de venda do exercício atual, impostos e contribuições incidentes sobre as vendas. Costumeiramente em empresas do Simples Nacional, em virtude do percentual do imposto ser móvel variando conforme cálculo da alíquota efetiva a cada mês, os impostos e contribuições sobre vendas são lançados junto com os demais impostos como despesas em categoria específica para Despesas Tributárias.
  • (=) Receita Operacional Líquida (ROL)É o resultado da Receita Bruta Operacional subtraídas as Deduções de Receita Bruta.
  • (-) CustosO custo é o gasto que uma empresa tem e que está diretamente relacionado a tudo aquilo que esta produz, ou seja, é o gasto necessário para produzir um produto ou prestar um serviço. Assim, os custos possuem relação direta com o objeto ou atividade-fim da empresa. Nesta conta são lançados os custos de fabricação dos produtos (CPV) ou da mercadoria vendida (CMV) ou Custo dos Serviços Prestados (CSP).
  • (=) Lucro (Prejuízo) BrutoÉ o resultado da Receita Operacional Líquida subtraídos os Custos. É usado para medir o lucro que uma empresa gera a partir das suas atividades principais. Esse lucro deve ser suficiente para cobrir as despesas da operação e desejável que ainda sobre para o Lucro Líquido do Exercício.
  • Margem Bruta (%)Resultado da Divisão do Lucro (ou prejuízo) Operacional pela Receita Operacional Líquida do período.
  • (-) Despesas OperacionaisDespesa são gastos que não estão ligados diretamente a produção de produto, ou mais comumente em Drogaria ao Custo da Mercadoria Vendida. Nesta conta de Despesas Operacionais são lançadas todas as despesas necessárias para a operação da sua Drogaria. É aqui que iremos vincular, por exemplo, as categorias financeiras relativas as Despesas Administrativas, Despesas Comerciais, Despesas com Pessoal, Despesas Tributárias, Despesas de Manutenção e reparos, entre outras.
  • (=) Lucro (Prejuízo) Operacional (EBITDA)É o resultado do Lucro (Prejuízo) Bruto subtraídas as Despesas Operacionais. O termo vem do inglês Earning Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization. Em português é conhecido como LAJIDA que é o acrônimo para Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização.
  • Margem Operacional (%)Resultado da divisão do Lucro (ou prejuízo) Operacional pela Receita Operacional Líquida do período.
  • (-) DepreciaçãoÉ o registro da desvalorização sofrida por máquinas, equipamentos e outros ativos da empresa a partir do momento da sua aquisição. É atrelado a vida útil desses bens e pode ser causada por desgaste, perda de funcionalidades, etc. Existem aqueles que lançam a Depreciação na DRE e aqueles que não.
  • (+) Receitas Financeiras: Onde são lançadas as receitas provenientes de aplicações financeiras dos excedentes temporários de caixa.
  • (-) Despesas Financeiras: Onde são lançados os juros originados de empréstimos contraídos pela empresa.
  • (=) Lucro (Prejuízo) Antes do IR e CSLL (LAIR | EBT)É o resultado do Lucro (Prejuízo) Operacional (EBITDA) subtraída a Depreciação e Despesas Financeiras e somando as Receitas Financeiras.
  • (-) IR e Contribuição SocialAqui são lançados os impostos sobre o Lucro, no caso o IRPJ e Contribuição Social. Tal qual nos impostos sobre vendas, empresas do simples costumam lançar isso nas despesas tributárias em virtude de terem calculado dentro da alíquota da simples pelo faturamento e não pelo lucro.
  • (=) Resultado Liquido do ExercícioTendo como base o Lucro (Prejuízo) Antes do IR e CSLL (LAIR | EBT)  e descontando o IR e CSLL chegamos ao Resultado Liquido do Exercício que finalmente demonstra se o estabelecimento está operando com lucro ou prejuízo sob a ótica do Regime de Competência.
  • Margem Líquida (%)Resultado da divisão do Resultado Líquido pela Receita Operacional Líquida do período.

E como Analisar a DRE?

A análise da DRE lançará luz sobre todas entradas e saídas de recursos da empresa. Para auxiliar na análise existem duas metodologias principais: A Análise Vertical e a Análise Horizontal, ambas formas de análise são extremamente importantes deixaremos esse tema para outro artigo, assim que escrito, colocaremos aqui abaixo os links para você acessar. Até lá, nossa sugestão é que você acesse o HOSFarma e veja como estão suas configurações para a geração da DRE, estando tudo certo gere uma DRE e inicie a verificação dos números da sua empresa.

Antes de finalizarmos, eu acredito que durante a leitura você possa ter se perguntado qual a diferença entre a DRE e o Fluxo de Caixa, bem como, entre o Regime de Competência e o Regime de Caixa.
  • - Na DRE utilizamos o Regime de Competência, o qual é costumeiramente adotado pela Contabilidade, onde as receitas e rendimentos do período independente de seu recebimento são lançadas no momento em que incorrem. Os custos e despesas independente do seu pagamento, também são reconhecido pelo regime de competência quando ocorrem, sem olhar para a data do pagamento. Em suma, o Regime de Competência estabelece que as receitas e despesas são contabilizadas no período da ocorrência do fato gerador (ocorrência da venda ou compra) e não quando são recebidas ou pagas. 
  • - Por sua vez no Fluxo de Caixa, em oposição ao Regime de Competência, utilizamos o Regime de Caixa. No Regime de Caixa uma conta só existe quando tem a efetiva movimentação de dinheiro, ou seja, o fato gerador para o regime de caixa não é quando a compra ou venda ocorreu e sim somente quando ocorre o recebimento ou o pagamento. Este demonstrativo é indicado para a análise do Fluxo Financeiro ou o Fluxo de Caixa de sua Drogaria. Em breve, também teremos um artigo específico tratando deste demonstrativo.
Vamos deixar isso mais claro com um exemplo:
 
Despesa com material de escritório
     Data da compra: 31/03/2022
     Valor: R$ 100,00
     Data prevista para pagamento: 10/04/2022

Como essa operação irá aparecer nas Demonstrações:
Dia 31/03/2022
DRE: Teremos o registro dessa compra de R$ 100,00.
Fluxo de Caixa: Não teremos o registro, afinal não saiu dinheiro do caixa para pagar a compra, logo, não está no radar do fluxo de caixa.
Dia 10/04/2022
DRE: Não teremos o registro da compra do dia 31/03/2022, afinal esse registro já está contabilizado no DRE lá no dia 31/03/2022.
Fluxo de Caixa: Aqui temos duas possibilidades, sendo a pergunta chave: O pagamento previsto aconteceu?
Se sim, então irá aparecer essa saída de R$ 100,00 na categoria financeira onde está atrelada a conta paga e também na conta bancária de onde saiu o recurso para pagar a conta;
Se não, então não irá aparecer a saída no Fluxo de Caixa, pois esse gasto só existe na visão do Fluxo de Caixa se de fato o dinheiro saiu do caixa, se não saiu do caixa não existe.

Receba novidades, dicas de gestão farmacêutica e muito mais!

Posts recentes

Image
02/05/2022
Dia das Mães! Como potencializar a data em sua loja!
Leia Mais
Image
20/04/2022
Atualizando o Varejo Farma- Um novo olhar para sua farmácia!
Leia Mais
Image
13/04/2022
Saúde Infantil- Como cuidar da saúde dos pequenos com a retomada social?
Leia Mais